Página Literária - Espaço de Poesia

Veja aqui alguns poemas selecionados de nossos visitantes. Participe também, enviando seu texto. Os melhores serão publicados neste espaço.
 

Poemas Selecionados:


SONETO DA ESPERA

De há muito Fabrício, enfadado,
De Patrícia esperava seu amor.
E sempre, na lembrança, magoado,
Cuidava em não se ver naquela dor.

Patrícia, entretanto, não o via,
Sem saber que Fabrício, tristemente,
Quase louco ficara e insolente,
Enleado nos amores que trazia.

Mas Fabrício, no entanto, deu-lhe flores
Galante pela força que lhe vinha;
Relatou a Patrícia seus amores
E todas as angústias que ele tinha.

Foi então que Fabrício pôde tê-la,
Ao cintilar da última estrela...

(Maurício José, Brasil, setembro de 1994)





MONÓLOGO DE EURÍDICE

Eu sou essa Eurídice mutilada
que tu vês esmolando amor na estrada
encharcada da vida morrinhenta...
Olha bem o sambenito preto
que ela veste debaixo do esqueleto
olha toda a gente que ela afugenta!

Eu sou essa trágica criatura
que levanta as saias da loucura
a cada transeunte apressado.
Repara como passam indiferentes
passam tão longe dos não poentes
e passam mesmo ali a seu lado...

Eurídice é um sol sempre nascente
mas esta que se vestiu do meu ente
é toda virada do avesso!
Suga, vampírica, as luas do céu
insurrecta de não achar Orfeu
e morre de si a cada não começo...

Ai, pulvérea ironia dos beijos
que enlouquece Eurídice de desejos
Olha! Vê bem como ela anda louca
da órfica esperança de uma lira
derramando amor na alma que suspira:
"beija o meu beijo sem beijar minha boca!"

Sou esse uivo que de noite escutas
avulso queixume vindo das grutas
que pulsam debaixo dos meus lençóis!
Ai, Eurídice que me és tão triste
raiz quadrada de tudo o que existe
Ai, Orfeu que não és - como me dóis!

Mas se olhares bem atentamente
ainda adivinhas o seio latente:
flor absurda do jardim impossível
que não sabe o que fazer do gineceu...
Ai, Eurídice menos Orfeu
ai, coisa tão incompreensível!

(Carolina, Portugal, 2001)



ENVIE AQUI SEU POEMA!


Página em construção